O DIU de cobre está entre os métodos contraceptivos mais eficazes disponíveis e pode ser uma excelente opção para mulheres que desejam uma contracepção de longa duração, sem hormônios e com possibilidade de retorno rápido da fertilidade após a retirada.
Mas existe uma ideia bastante comum de que, por não conter hormônios, o DIU de cobre seria automaticamente indicado para qualquer mulher. Mas não é bem assim…
Embora seja seguro para grande parte das pacientes, existem situações em que o método pode não ser a melhor escolha, seja porque pode intensificar sintomas já existentes, seja porque determinadas condições clínicas aumentam os riscos relacionados à sua inserção ou utilização.
Além disso, mesmo quando não existe uma contraindicação médica absoluta, as características do ciclo menstrual e as expectativas da mulher precisam ser consideradas.
Afinal, um método contraceptivo não deve ser escolhido apenas pela sua eficácia. Também é necessário avaliar a tolerabilidade, características individuais, preferências, histórico de saúde, desejo reprodutivo e possíveis efeitos adversos.
O DIU de cobre é um método contraceptivo de longa duração que não contém hormônios. Sua ação contraceptiva está relacionada principalmente ao efeito do cobre no ambiente uterino, que interfere na função e na mobilidade dos espermatozoides e dificulta a fecundação.
Uma das suas principais vantagens é justamente não depender da lembrança diária da mulher. Depois de inserido, o método oferece contracepção contínua durante o período recomendado para aquele dispositivo.
Por não conter hormônios, o DIU de cobre também pode ser uma alternativa para mulheres que preferem evitar métodos hormonais ou que possuem alguma contraindicação a determinados contraceptivos hormonais.
Mas “sem hormônio” não significa “sem efeitos sobre o organismo”. O cobre atua localmente no útero e pode alterar o padrão do sangramento menstrual, especialmente nos primeiros meses.
Quem tem menstruação muito intensa pode usar DIU de cobre?
Essa situação merece uma avaliação individualizada.
O sangramento menstrual intenso pode ter diversas causas, como miomas, adenomiose, endometriose, alterações hormonais, distúrbios da coagulação ou outras condições ginecológicas.
Se uma mulher já apresenta sangramento intenso, a possibilidade de o DIU de cobre aumentar o fluxo pode pesar contra a escolha do método.
Isso não significa que toda mulher com fluxo aumentado esteja absolutamente proibida de usar o dispositivo. A decisão depende da causa do sangramento, da intensidade dos sintomas, da presença de anemia e das demais opções contraceptivas disponíveis.
Em determinadas situações, um DIU hormonal com levonorgestrel pode ser mais interessante porque, além da contracepção, tende a reduzir o sangramento menstrual.
Essa diferença entre os dois dispositivos é fundamental.
O DIU de cobre e o DIU hormonal são ambos dispositivos intrauterinos, mas possuem características bastante diferentes.
E quem tem cólicas muito fortes?
A mesma lógica vale para a dor. Algumas mulheres apresentam dismenorreia intensa, ou seja, cólicas menstruais importantes que interferem no trabalho, nos estudos, na atividade física ou na vida social.
Como o DIU de cobre pode aumentar as cólicas, principalmente no período inicial de adaptação, ele pode não ser a opção mais confortável para determinadas pacientes.
Nesse cenário, o médico precisa investigar primeiro porque aquela mulher sente tanta dor. Cólicas muito intensas podem estar associadas a condições como endometriose ou adenomiose, por exemplo.
Não é adequado simplesmente inserir um DIU e esperar que a paciente “se acostume” sem considerar o quadro clínico que já existia antes.
O objetivo de uma consulta contraceptiva não deve ser apenas escolher um método para evitar a gravidez, mas também compreender a saúde ginecológica como um todo.
Existe diferença entre contraindicação e “não ser a melhor opção”?
Sim, e essa diferença é muito importante.
Uma contraindicação significa que determinada condição torna o uso do método inadequado ou inseguro.
Já uma situação em que o método “não é a melhor opção” pode significar que existem outras alternativas potencialmente mais vantajosas para aquela mulher.
Por exemplo, uma paciente com menstruação muito intensa pode não apresentar uma contraindicação absoluta ao DIU de cobre, mas pode ter mais benefício com outro método que também contribua para reduzir o sangramento.
A escolha deve levar em consideração o conjunto da situação. Isso evita dois extremos:
- considerar o DIU de cobre perigoso para todas as mulheres com determinadas características;
- ou tratá-lo como uma opção universal simplesmente porque não possui hormônios.
Além de mulheres com fluxo menstrual intenso, em quais situações ele não é recomendado?
Existem situações clínicas em que a inserção do DIU de cobre não deve ser realizada.
Entre elas estão determinadas infecções ou inflamações ginecológicas ativas, algumas alterações anatômicas uterinas que impedem o posicionamento adequado do dispositivo e a presença de câncer ginecológico não tratado em determinadas circunstâncias.
O melhor método é aquele que faz sentido para a sua saúde!
Escolher um método contraceptivo vai muito além de perguntar se ele “é seguro”.
É preciso considerar como é o ciclo menstrual, se existem cólicas, histórico de anemia, presença de doenças ginecológicas, anatomia uterina, risco de IST’s, desejo de engravidar no futuro, experiências anteriores com contraceptivos e, principalmente, aquilo que a paciente espera do método.
O DIU de cobre pode ser uma excelente escolha para muitas mulheres, mas não precisa ser a escolha de todas.
A consulta ginecológica permite avaliar esses fatores em conjunto e comparar as opções disponíveis. Mais importante do que escolher o método mais popular ou aquele que funcionou para outra pessoa é encontrar uma estratégia contraceptiva segura, eficaz e compatível com as necessidades do próprio corpo.